“Blue”, de Joni Mitchell

Postado em Uncategorized com as tags , , em 20/01/2012 por gusfil

Aclamado pela crítica mundial como um dos maiores álbuns jamais produzidos na história da humanidade, o disco “Blue”, de 1971, da artista canadense Joni Mitchell, cantora, pintora, poetisa, musicista e compositora, é um dos melhores exemplos daquilo que os anglófonos chamam de “State of the Art”, isto é, a perfeição humanamente possível. A técnica vocal impecável aliada ao seu estilo único e inovador ao violão e às letras profundas e lancinantemente poéticas fazem de “Blue” uma experiência tocante capaz até mesmo de fazer exsudar aos olhos daqueles de senso estético mais refinado.
Canções como All I Want, Little Green, A Case Of You e a música título, Blue, são a confirmação de que realmente, como diria Nietzsche, a Arte, mais especificamente a Música, é o antídoto ao mau-estar que há em viver.

Track List:

Side A
“All I Want” – 3:32
“My Old Man” – 3:33
“Little Green” – 3:25
“Carey” – 3:00
“Blue” – 3:00

Side B
“California” – 3:48
“This Flight Tonight” – 2:50
“River” – 4:00
“A Case of You” – 4:20
“The Last Time I Saw Richard” – 4:13

A Case Of You
by Joni Mitchell

Just before our love got lost you said
“I am as constant as a northern star”
And I said “Constantly in the darkness
Where’s that at?
If you want me I’ll be in the bar”

On the back of a cartoon coaster
In the blue TV screen light
I drew a map of Canada
Oh Canada
With your face sketched on it twice
Oh you’re in my blood like holy wine
You taste so bitter and so sweet

Oh I could drink a case of you darling
Still I’d be on my feet
oh I would still be on my feet

Oh I am a lonely painter
I live in a box of paints
I’m frightened by the devil
And I’m drawn to those ones that ain’t afraid

I remember that time you told me you said
“Love is touching souls”
Surely you touched mine
‘Cause part of you pours out of me
In these lines from time to time
Oh, you’re in my blood like holy wine
You taste so bitter and so sweet

Oh I could drink a case of you darling
And I would still be on my feet
I would still be on my feet

I met a woman
She had a mouth like yours
She knew your life
She knew your devils and your deeds
And she said
“Go to him, stay with him if you can
But be prepared to bleed”

Oh but you are in my blood
You’re my holy wine
You’re so bitter, bitter and so sweet

Oh, I could drink a case of you darling
Still I’d be on my feet
I would still be on my feet
© 1970; Joni Mitchell

A pós-modernidade e o fracasso dos intelectuais.

Postado em Corrupção, Filosofia, Política em 08/09/2011 por gusfil

Essa questão vai direto à espinha dorsal. Não pode ser respondida levianamente.

A meu ver, o fracasso dos intelectuais é mais uma consequência nefasta do fracasso do próprio projeto moderno. Colocar a razão no lugar de Deus, ao invés de dissipar as trevas, acabou por criar novos monstros em substituição aos antigos. Leviatãs talvez ainda mais malignos e insidiosos que as abominações de outrora.

No cerne do iluminismo cintila o racionalismo materialista, que destilado através dos séculos acabou por redundar neste hedonismo materialista que domina as mentes e os corações da humanidade contemporânea. Diga-se de passagem, este é um dos fatores responsáveis pelo declínio da ética e pela disseminação da criminalidade e corrupção que estamos presenciando.

Abdicar do espírito nunca é uma sábia opção. O espírito é o que resiste ao tempo, é o que faz o gênio humano perdurar, seja através da arte, da cultura, da filosofia, das relações humanas e até mesmo através das ciências. Abdicar do espírito nos engendra cada vez mais no materialismo.

Todo o esforço filosófico iluminista se dá no sentido de consolidar uma nova sociedade, a sociedade burguesa. Ora, mas não é o burguês aquele que vive mediante o lucro e para o lucro? Não estaria aí a raiz do sentido existencial predominante no mundo hoje? A noção de que devemos viver para acumular e acumular para podermos gozar? A noção de que precisamos “ter para ser”? De que esse é o sentido da vida? Acredito que sim.

Nietzsche nos alertou quanto a isso. Modernidade é decadènce! Entre muitas outras razões, é “decadènce” por que em uma sociedade que tem o seu sentido em “comprar e vender” não pode existir espaço para a nobreza. Não se diz aí da nobreza enquanto título social, mas como qualidade do espírito.

Ele nos alertou também que “Deus está morto!”, que nós humanos o matamos e que agora nós teríamos que lidar com as consequências de sermos responsáveis pelo nosso próprio destino! O momento era crucial, por um lado a mais ampla possibilidade de liberdade, isto é, a possibilidade de darmos sentido para nossa própria existência, autonomia, por outro lado, o peso de termos que aceitar essa colossal responsabilidade.
Ele ainda nos aponta uma saída: Devemos escolher o espírito, a nobreza, a vida, a virtude, devemos buscar a auto-superação continua, devemos escolher o Übermensch!

Mas não… Optamos pelo materialismo burguês, e nos tornamos todos sibaritas. Vejamos só, o que pode ocorrer se adicionamos uma filosofia materialista à uma práxis mercadológica e uma teleologia da aquisição tudo isso em um animal-homem que já tem em si o gene da ganância e da violência? Com certeza o que teremos não será o fim da escuridão, a liberdade, a igualdade e a fraternidade. O que teremos sim será Hiroshima e Nagasaki, Auschwitz-Birkenau, Khmer Vermelho, Vietnã, Pinochet, Verdun, Stalingrado, Líbia, Iraque, Afeganistão, Etiópia, Somália… A lista é virtualmente infinita.

Percebendo o retumbante fracasso que aguardava a humanidade no final do caminho apontado pela “avant-garde” iluminista, um novo corpo de intelectuais dissidentes começa a teorizar sobre novos horizontes possíveis para a raça humana, são esses os que nós conhecemos hoje como “esquerdistas”, ou seja, Marx, Engels, Proudhon e cia. Estes anteviram que o mercantilismo redundante da revolução iluminista faria senão aumentar as desigualdades antes à realizar suas promessas. Entretanto, em suas propostas de soluções, continuaram a perder o espírito de vista, apenas que agora o materialismo era “histórico”, estes, ingenuamente, acreditaram que podiam mudar a humanidade sem mudar o homem, que poderiam através da força e da política, da “ditadura do proletariado”, estabelecer novos valores e ideais. Ora, que bela inversão de causa e consequência perpetraram estes sujeitos!

Pois bem, com Deus fora do caminho, colocado foi no pedestal a racionalidade humana coroada com o materialismo iluminista. Veio o final do século XIX e o início do século XX e o fracasso deste projeto já estava mais que evidente e aquela parcela da humanidade que precisava de esperança para viver rapidamente vai se arregimentando em torno desta nova forma de pensar: os comunismos.
Praticamente toda a nova intelectualidade se lança em suas fileiras. Mas são valores e ideais o que podem fazer brotar uma nova sociedade e não ao contrário, a não ser pela força, e foi o que foi feito, pela força. Mas toda a força se esgota, e esta se esgotou muito rapidamente: 9 de Novembro de 1989 e o muro cai. E cai com ele também uma humanidade combalida.

O homem, que em alguns poucos séculos perdera sua fé em Deus e logo em seguida a sua fé na razão, agora perdia também a sua fé em si mesmo! E como podem ser mesquinhos aqueles desesperados desprovidos de toda fé e esperança!? Claro, muitos estertores de alegria e júbilo rugiram nesse dia, não sem razão, mas era apenas o júbilo de prisioneiros que simplesmente trocavam seus grilhões por outros mais sutis!

E os intelectuais? Suas duas tentativas mais ambiciosas redundaram em grandes desilusões, mas o tempo agora já não pode mais voltar e, como alertara Nietzsche, temos agora que lidar com as consequências desses fracassos. Cavamos um fosso demasiado fundo nesse processo, e agora? Como poderemos nos libertar?

A pós modernidade faz ecoar os últimos suspiros de Jean-Jacques Rousseau, que ao final de sua vida indagava: A nova civilização já é irrefreável, estaria a humanidade condenada a perdição?

De dentro de nosso fosso profundo fica difícil enxergar a luz!

A Satiagraha, o sinal dos tempos e a “panis et circensis”.

Postado em Corrupção, Política em 08/06/2011 por gusfil

O Excelentíssimo Sr. Dr. Jorge Mussi, Ministro Presidente do STJ, anulou há algumas horas a condenação contra o especulador e corruptor Sr. Daniel Dantas. O argumento para tanto foi a anulação das provas contra o banqueiro que, diz-se, teriam sido obtidas ilegalmente pela Abin.

Ora, obtidas ilegalmente ou não o fato é que as provas existem! Para aqueles que já não se lembram, à época da operação foi amplamente divulgado na imprensa, na mídia e na internet um vídeo de um associado do alto escalão da organização de Dantas oferecendo uma pequena fortuna à policiais para que estes retirassem o nome de Dantas e do Opportunity da investigação.

As provas demonstram claramente que o Sr. Daniel Dantas é de fato um corruptor e que portanto deveria apodrecer atrás das grades. Se o Dr. Jorge Mussi fosse um homem verdadeiramente digno e que tivesse algum compromisso real com a Justiça (pobre Thémis, que Deus a tenha) ele deveria mandar prender Dantas e, se for mesmo o caso de as provas terem sido obtidas ilegalmente, mandar também punir os responsáveis por isso! Por amor! De que forma uma ilegalidade pode anular outra?? Simplesmente não faz nenhum sentido!!

Apenas mais um triste evento na estória brasileira, quando as indignidades já não mais indignam e os escândalos cotidianos já não mais escandalizam.

Para o Sr. Dantas, tudo se resolveu. Para a nação brasileira, com seu vigor languidecido pelo pão do acesso ao consumo e os sentidos embotados pelo circo da “indústria cultural”, tal triste evento não passa de apenas mais uma nota na imprensa. Pior para nós!

Resta apenas a incessante pergunta: Por quê? Dr. Jorge Mussi, por quê???

Ahhhh….. A Vida!

Postado em Filosofia em 14/10/2010 por gusfil

Ahhh! Essa doce velha-jovem Senhora, chamada Vida, às vezes amarga… caudalosa, indelével… que eventualmente nos conduz à caminhos obscuros e inóspitos! Qual dentre nós poderá domá-la? Que seus desafios sejam nossas escadas! Que perdure o Triunfo! E que chegue até nós, algum dia, a Glória, nesta pujante escalada!!!

Um Filósofo

Postado em Filosofia em 09/02/2010 por gusfil

“Um filósofo: um homem que continuamente vê, vive, ouve, suspeita, espera e sonha coisas extraordinárias; que é colhido por seus próprios pensamentos, como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, constituindo a sua espécie de acontecimentos e coriscos; que é talvez ele próprio um temporal, caminhando prenhe de novos raios; um homem fatal, em torno do qual há sempre murmúrio, bramido, rompimento, inquietude. Um filósofo: oh, um ser que tantas vezes foge de si, que muitas vezes tem medo de si, mas que é sempre curioso demais para não ‘voltar a si’…” (Além do Bem e do Mal, §292.)

Tò thauma: O Espanto!

Postado em Filosofia em 15/01/2010 por gusfil

O hábito é algo poderoso… Condiciona, dobra, amortece, acostuma… habitua! Conviver todo e cada santo dia com o cotidiano nos habitua à existir… e nos amortece! Tudo parece normal… habitual… corriqueiro… vulgar, trivial! Nem mesmo o sangue e as entranhas expostas do mundo são ainda capazes de chocar! É tudo ao vivo, online e banal…. Os corações evanescem… a juventude envelhece… e o cinismo floresce!
Seria tão mais lógico e simples o Nada, o vazio, o não-ser…
Mas o Mundo é Vontade! E Representação! E a própria beleza jaz sempre nos olhos do espectador! E para o espírito inquieto, curioso, jocoso, nenhuma repetição de eventos e banalização da Vida jamais será capaz de suprimir em si a capacidade de maravilhar-se…! E entrever com olhos sutis a magistral complexidade e pujança do múltiplo, a delicadeza da vida, a riqueza do Ser, evoca naquele que vê, o próprio Admirar, o Assombro, o Espanto!

Da realidade e do instante

Postado em Filosofia com as tags em 14/01/2010 por gusfil

Coisa curiosa é a realidade…. Ela necessariamente se dá naquela dimensão chamada “Presente”. O Presente é o instante… é aquele ponto sem espessura entre aquilo que foi e aquilo que ainda não é. Um instante nasce no mesmo exato momento em que morre, abrindo o caminho para o instante seguinte… mas o que não possui espessura nem no espaço e nem no tempo não pode existir! Logo… a realidade se dá no vazio! Koan!!! Buda entendeu o mesmo, mas de outra maneira…..

Da Linguagem

Postado em Filosofia em 21/12/2009 por gusfil

Curioso como a repetição para si próprio de uma palavra esvazia o seu sentido.

Dos preconceitos

Postado em Filosofia em 21/12/2009 por gusfil

Preconceitos são ruins por serem julgamentos ruins, apressados, razos, não por serem “politicamente incorretos”, imorais, ilegais, como quer a democracia pós-moderna e o seu DNA cristão. Ora, todo aquele que diz que não se deve julgar ou é tolo ou hipócrita!
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Ahhh…. antes que me queimem na fogueira, que fique dito aqui: “julgar” é uma instância distinta do “condenar”.

O Grandioso Circo do Senado!

Postado em Corrupção, Política em 06/08/2009 por gusfil

Muito me alegra ver este estado de ânimos, confronto direto! Nada das habituais punhaladas nas sombras e tapetes puxados… e quiçá, distribuissem-se facas e adagas!

É realmente admirável a forma mendaz e habilidosíssima com a qual a velha raposa, a velha mestra nas artes democráticas, escapuliu escorregadiamente do foco da cena política, não sem antes deixar, é claro, um de seus fiéis cangaceiros como anteparo .

Matéria:

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3910901-EI7896,00-Bateboca+PSDB+deve+entrar+com+representacao+contra+Renan.html

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